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História do Conde de Ficalho /Serpa
Palácio dos Condes de Ficalho / Palácios dos Melos / Casa do Castelo
Portugal, Beja, Serpa, Santa Maria
Arquitectura residencial, barroca. Palácio onde é patente uma grande austeridade e a continuação de soluções maneiristas, depuradas, que caracterizam o designado estilo chão, bem patentes na fachada principal, plana e branca ritmada apenas pela distribuição regular dos vão, mas onde se sente o espírito barroco na relação com o tecido urbano, que seja com o amplo largo de acesso à fachada principal, rodeado por construções de apoio, que criam um espaço urbano claramente direccionado para a valorização do palácio, quer da fachada que se eleva sobre as muralhas, e domina a vila e o território envolvente. Fachada principal, de dois registos, de marcada sobriedade, destacando-se o desenvolvimento longitudinal da planimetria e a simetria das fenestrações e portas, que marcam o ritmo do edifício; fachada posterior, de dois registos, integrada no pano das muralhas, rasgada inferior mente por janelas de sacada, semelhantes às do piso nobre da fachada principal. No interior salas intercaladas porgalerias, ambas apresentando revestimento azulejar sesicentista; a sua estrutura simples e austera conjuga-se com a sobriedade patente no exterior. O aqueduto assente igualmente sobre as muralhas constitui outra solução onde a monumentalidade se revela numa solução austera e desadornada. Jardim islâmico, barroco. Soluções maneiristas, manifestadas no amplo largo de acesso à fachada principal, com fortes caracteristicas islâmicas. Analogia com o conjunto do Generalife de Granada, a uma escala menor. Registo Descrição
Fachada principal virada a SE. de um só pano definido por cunhais de cantaria, dividido em dois registos por moldura de cantaria que se sobrepõe aos cunhais e rematado superiormente por cornija e beirado, no primeiro registo abre-se um portão central de verga recta com moldura de cantaria com entablamento, ladeado por duas janelas com moldura de cantaria, à esquerda e uma janela e uma porta com moldura de cantaria, à direita, segue-se de cada lado um portão idêntico ao principal e duas janelas com molduras de cantaria, sendo as da direita falsas, no registo superior abrem-se onze janelas de sacada, correspondentes aos vãos do registo inferior e regularmente espaçadas, com molduras de cantaria com entablamento e varandas com gradeamento de ferro fundido assentes em mísulas de cantarias que se destacam da moldura divisórias dos registos, superiormente, junto da cornija, destacam-se doze argolas de ferro. Fachada SO. de um só pano definido por cunhais de cantaria, dividido em dois registos por moldura de cantaria que se sobrepõe aos cunhais e rematado superiormente por cornija e beirado, no registo inferior abrem-se duas portas com molduras de cantaria enquadradas por três janelas engradadas com molduras de cantaria, no registo superior abrem-se cinco janelas de sacada, correspondentes aos vãos do registo inferior e regularmente espaçadas, com molduras de cantaria e varandas com gradeamentos de ferro fundido assentes em mísulas de cantaria que se destacam na moldura divisória dos registos. Fachada NO. com soco de alvenaria de pedra aparente e um só pano rebocado definido por cunhais denteados de cantaria, rematado superiormente por cornija, onde assenta gradeamento de ferro fundido apoiado em dezasseis balaustres de cantaria, de secção quadrada, a meia altura rasgam-se duas janelas com molduras de cantaria, acima das quais se abrem cinco janelas de sacada, com molduras de cantaria encimadas por entablamento e varandas de ferro fundido assentes em mísulas de cantaria, unidas entre si por friso, correspondendo a segunda e a quarta varandas às janelas do nível inferior, a um nível superior destacam-se duas janelas de sacada, colocadas lateralmente, com moldura de cantaria encimada por entablamento e varanda de ferro fundido assente em mísula de cantaria, sendo o vão da direita falso, preenchido por uma simulação de portadas, em argamassa. INTERIOR: piso térreo destinado sobretudo às áreas de serviço; ao centro larga escadaria que de acesso ao piso nobre; neste várias salas e galerias decoradas por milhares de azulejo. CERCA: amuralhada delimitando o jardim, a SO., interrompida por duas torres, uma de planta circular e outra de planta quadrada; a seguir a esta o pano de muralha é mais baixo, de recorte escalonado e encimado pelo aqueduto que abastece os jardins, formado por cinco arcos de volta perfeita, seguido pelas duas torres de planta circular que enquadram as Portas de Beja, entre as quais passa um arco do aqueduto; segue-se outro pano de muralha de recorte escalonado, encimado por treze arcos do aqueduto, que terminam numa nora; esta constitui um volume paralelepipédico de fachada rasgada por arco de volta perfeita e rematada por platibanda onde se inscreve a pedra de armas da família Mello, encimada por roda dentada apoiada em pano de parede rasgado por arco de volta perfeita.
Aqueduto (foto da Net)
Porta do Castelo mais conhecida por porta de Beja
Esta Nora fornecia àgua ao Palácio através dum (AQUEDUTO)
JARDIM: intramuros, onde a ligação casa-jardim se faz através de uma porta na galeria do primeiro andar, embora existam outras portas de acesso ao andar térreo. O espaço é centrado num tanque-piscina com geometria alinhada pelo buxo, onde a marca mais forte é deixada pela parede poente, maciça, atras da qual são recolhidas, em cisterna *1, as águas do Aqueduto, a uma altura de 12m através de escadaria íngreme e sem protecção. Este é o mais importante elemento, decorativo e funcional, no espaço. Escultura de repuxo, saíndo do chão em múltiplos arcos de água. No alto da escadaria são marcantes, um mirante de laje onde foi talhado um poço de dezasseis lados quase circular, para o qual despeja um canal sulcado na laje e alimentado com água vinda da Nora através do Aqueduto. Este terraço, com função de cisterna e belveder, tem função de contemplação, tendo bancos com lugar até três pessoas, intercalados por alegretes onde estão plantas capazes de resistir ao sol. Para E., a nível inferior, o espaço livre de jardim mede 0.5ha, sendo quase plano e rematado a S. por um muro largo donde a vista domina os telhados da vila. No jardim distinguem-se duas áreas: um pequeno pinhal de linhas naturalizadas em que, no caminho que o remata, foi plantada uma colecção de cactos, e o jardim de laranjeiras. O laranjal é plantado em fileiras paralelas e ramatado a buxo, ponteado nos ângulos por ciprestes, uma palmeira-das-canárias e uma figueira. A parede das escadas que levam ao terraço da cisterna foi coberta por hera e figueira-trepadeira e junto a ela foi plantado um pequeno roseiral. Nas floreiras ou alegretes do terraço existem chorinas, gazania e sardinheiras. Acessos Largo dos Condes de Ficalho. VWGS84 (graus decimais) lat. 37,944710 long. -7,598740. Protecção MN, Dec n.º 6/2007, DG de 20 Abril 2007; Incluído na Zona Especial de Protecção do Núcleo intramuros de Serpa (v. PT040213050023) Grau 1 Enquadramento Urbano, isolado, adjacente ao Castelo (v. PT040213040002), destacado, sobre sobre a planicie envolvente e a vila, precedido a SE. por um amplo largo empedrado. Descrição Complementar
Utilização Inicial Residencial: palácio Utilização Actual
Residencial: palácio Propriedade Privada:
pessoa singular Afectação Sem afectação Época Construção Época medieval / Séc. 17 Arquitecto / Construtor / Autor ARQUITECTO: Mateus do Couto Cronologia Época medieval - edificação do núcleo primitivo, pela família dos Melo; Séc. 16, finais - Séc. 17, inícios - mandado edificar, estruturas medievais, por D. Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa, cargo que a família detinha já há várias gerações; a obra foi posteriormente prosseguida pelos seus filhos, D. Pedro de Melo, governador do Rio de Janeiro, e D. António Martim de Melo, bispo da Guarda; 1873 - o Conde de Ficalho, manda executar o jardim Botânico da Faculdade de Ciências, para o qual colaboraram os mestres-jardineiros Edmund Goeze, Jules Daveau e Henri F. Cayeux, por ele escolhidos; 1946 - obras de restauro pelos proprietários, os Condes e Marqueses de Ficalho; 1954 - a Marquesa de Ficalho e marido restauram a Casa do Castelo, implantando no jardim, laranjeiras, ciprestes, buxo e outras especies, onde havia apenas seis amendoeiras ao acaso, e reformulado em termos de abastecimento de água; séc. 20, década de 60 - construção do tanque-piscina central do jardim; 1971 - 1973 - obras de recuperação; 1984 - premio de restauro pelo Institut International des Châteaux Historiques; 1986 - a proposta de classificação incluída na Proposta do Plano de Salvaguarda do centro Histórico de Serpa é apresentado ao IPPC para dar parecer; 1994, 22 de Março - a autarquia envia ao IPPC elementos para a instrução do processo de classificação do imóvel; 1994, 18 de Abril - proposta de abertura do processo de classificação pela DRÉvora do IPPAR; 1994, 27 de Setembro - Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR favorável a uma classificação de âmbito nacional; 1996, 26 de Março - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Presidente do IPPAR; 1997, 4 de Fevereiro - Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR propondo a classificação como MN e a delimitação de ZEP; 1997, 27 de Março - Despacho de homologação da classificação pelo Ministro da Cultura; 2004, 6 de Abril - Proposta da DRÉvora do IPPAR no sentido de não ser fixada uma ZEP dado o imóvel se encontrar inserido no Núcleo intra-muros de Serpa, em vias de classificação; 2006, 11 de Abril - Despacho concordante da Vice-Presidente do IPPAR para a não delimitação de ZEP. Características Particulares A localização intramuros, destacando-se a forma hábil e teatral como tira partido da mesma e da cerca amuralhada pré existente para se projectar e dominar a vila e o território envolvente. Igualmente a solução da fachada principal, que é em parte falsa, revela uma preocupação de relação com o espaço urbano rara no contexto regional. Destaque para o jardim no qual se salientam os reflexos da luz na cal e a abundância de água, associada à Nora e ao Aqueduto que abasteciam em exclusivo a habitação, a partir de um poço situado na extremidade sul da muralha; o ambiente criado pelo volume do palácio e a imensa presença do aqueduto, as árvores por trás dos muros, suscitam curiosidade pelo jardim que escondem; a expectativa de jardim islâmico desfaz-se quando se espreita pelas grades da janela que do terreiro dá para o jardim, só as laranjeiras indicando o clima dos jardins árabes. Dados Técnicos Estrutura mista Materiais Paredes e alvenaria de pedra e cal, rebocadas e caiadas, portais, molduras, cunhais e elementos secundários de cantaria, telhado de telha vidrada, gradeamentos de ferro fundido, caixilharias e portas de madeira. JARDIM: Inertes: alvenaria, pedra, cal, ferro. Vegetal: olaia (Cercis siliquastrum), alfazema (Lavandula officinalis), loendro (Nerium oleander), pinheiro-do-alepo (Pinus halepensis), pinheiro-manso (Pinus pinea), romanzeira (Punica granatum), pimenteira-bastarda (Schinus mollis), loureiro (Laurus nobilis), sardinheira (Pellargonium sp), plumbago (Plumbago capensis), laranjeira (Citrus sinensis), buxo (Buxus sempervirens), cipreste (Cupressus sempervirens), figueira (Ficus carica), hera (Hedera helix), figueira-trepadeira (Ficus repens), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), roseira-brava (Rosa canina), rosa galica (Rosa gallica), rosa-de-damasco (Rosa damascena), drosântemo (Drosanthemum floribundum), gazania (gazania spp), colecção de cactos. Bibliografia CACHUCHO, Silvana, Metodologia de Restauro de um Jardim Histórico, o Palácio dos Marquezes de Ficalho em Serpa (texto policopiado - Tese de Licenciatura em Arquitectura Paisagista), Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, 2000; CASTEL-BRANCO, Cristina, Jardins com História, Poesia Atrás dos Muros, Edições INAPA, Lisboa, 2002; FICALHO, Conde de, Notas Históricas Acerca de Serpa. O Elemento Árabe na Linguagem dos Pastores Alentejanos, A Tradição, 1899 a 1904, Lisboa, União Gráfica, 1899; FICALHO, Conde de, Uma Eleição Perdida, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1982; GIL, Júlio, Os Mais Belos Palácios de Portugal, Lisboa, 1992; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Palácios e solares portuguezes, Porto, Col. Encyclopedia pela imagem, 1900. Documentação Gráfica IHRU: DGEMN/DSID Documentação Fotográfica IHRU: DGEMN/DSID Documentação Administrativa IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH Intervenção Realizada Observações 1 - cisterna com capacidade para 16000 litros; O ambiente criado pelo volume do palácio e a imensa presença do aqueduto, as árvores por trás dos muros, suscitam curiosidade pelo jardim que escondem. A expectativa de jardim islâmico em Serpa desfaz-se quando se espreita pelas grades da janela que do terreiro dá para o jardim. Só as laranjeiras indicam o clima dos jardins árabes. O proprietário não autoriza fotografias do interior. Autor e Data Ricardo Pereira 2000 / Luisa Estadão 2004 AsFontes:

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